Quando Avatar foi apresentado ao mundo em 2009, a alta qualidade dos efeitos especiais impressionou o público. Hoje, Planeta dos Macacos: A Origem chega aos cinemas deixando o filme de James Cameron para trás, apresentando o trabalho mais recente da WETA Digital com uso tecnologia de captura de movimentos.
Planeta dos Macacos: A Origem é um prelúdio para a franquia de filmes Planeta dos Macacosiniciada em 1968. Ele conta a como os macacos abandonaram a submissão aos seres humanos e reinaram sobre estes, de uma forma inteligente e sobreduto, brilhante. É numa narrativa tranquila que o filme apresenta como os chimpanzés reverteram o quadro de domínio, dando brecha para instigar reflexões acerca da ciência e dos maus tratos aos animais.
O filme consegue se sustentar numa base de atuação fora do comum. Ele despreza um grande elenco, uma vez que o foco da trama cai em grande parcela sobre o ator Andy Serkis, que deu expressões e emoção ao macaco César, graças a tecnologia da WETA Digital. James Franco, Freida Pinto, Tom Felton e John Lithgow têm participações consideradas pequenas quando comparadas a importância de Serkis para com César. Serkis, que já havia trabalhado com captura de movimentos no personagem Gollum da trilogia O Senhor dos Anéis, ajudou a WETA a apresentar um personagem digital que durante diversas sequências nos faz esquecer que não estamos vendo um chimpanzé real na tela. Chega a ser amedrontador o olhar que Serkis cedeu a criatura, quando ela demonstra a evolução do animal que vem a liderar a grande revolução sobre os humanos.

Na história, James Franco vive Will, um cientista que trabalha na indústria farmacêutica. Seu projeto atual é um antídoto para o Alzheimer, que é testado em um grupo de macacos no laboratório. No início do teste, após um acidente com um dos macacos, a empresa decide parar o projeto e ordena que as cobaias (os macacos) sejam sacrificados. É neste momento em que o filme introduz como os humanos são, de maneira geral, seres superiores abomináveis. Há uma preocupação em esclarecer, nos momentos iniciais, que os macacos são seres extremamente explorados, coisa que o diretor Rupert Wyatt conseguiu fazer muito bem.
César é um destes macacos, que salvo por Will, vira um animal doméstico. Logo César começa a responder ao antídoto que corre em suas veias, apresentando melhores físicas e intelectuais. Calmamente a narrativa dá espaço para que o telespectador descubra, junto com César, Will e os outros personagens, o potencial que o medicamento tem nos chimpanzés. Pouco a pouco a trama se arrasta de maneira interessantíssima nesta descoberta, culminando num macaco quase humano.
Serkis, como César, honra o cargo de protagonista com atuações impecáveis. Ele simplesmente dá uma personalidade séria e madura ao macaco, que explica — sem faltar nenhum detalhe — como ele se tornou líder de um grande exército de chimpanzés. O macaco se revela decidido a se libertar do mal que assombra a todos os animais de sua espécie. A submissão não é mais uma opção e César consegue deixar isto tudo muito explícito; o que ele propõe, já no auge de sua inteligência, é que todos os símios vivam livremente e o que a trama mostra é que isto não pode acontecer paralelamente ao mundo dos seres humanos.
O conflito que surge é contado com sequências de intensa ação. Os macacos confrontam os seus dominadores exigindo liberdade, deixando claro que eles agora são seres racionais; parte de um grupo organizado, entrando numa batalha planejada pela fuga do domínio. É surpreendente ver, mesmo que na ficção, criaturas como chimpanzés lutando em grupo por um interesse comum. Eles conseguem se assemelhar a guerreiros humanos, colocando em prática táticas de combate como se já treinassem para aquilo há anos.O longa levanta uma hipóstese para a extinção da humanidade, trazendo consigo referências à franquia Planeta dos Macacos, a começar pelos personagens deste prelúdio que são os próprios chimpanzés que estão nos clássicos. A história, mesmo que não necessite, deixa abertura para uma sequência que poderia agradar bastante.
O Planeta dos Macacos: A Origem é definitivamente um dos melhores filmes de 2011.
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